Circulando os Pontos: Caixa de Surpresas

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Agência de Rede para Juventude está criando dobras em sua metodologia! Sempre adepto do copiar e colar – reoperando e customizando os códigos – a Agência e a Escola Livre de Cinema (dois projetos da Avenida Brasil Instituto de Criatividade Social) serão base para o Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho com Infância e Juventude. Já falamos sobre o trabalho neste post sobre primeiro encontrão do Pontão e a série Circulando os Pontos vai mostrar o perfil da Rede Carioca dos Pontos de Cultura.

Surpresas na Zona Oeste

A atuação do grupo começou na década de 1980, na própria Vila Aliança, favela localizada na região de Bangu, formada em 1961, como parte do projeto de urbanização do então prefeito Carlos Lacerda. A retirada de moradores morros da Zona Sul do Rio de Janeiro levou à construção de três bairros (além de Vila Aliança, Vila Kennedy e Cidade de Deus surgiram na mesma época) dentro de uma parceria intitulada Aliança para o Progresso, liderada pelo governo estadunidense. Para manter calmas as ondas socialistas na época ou para alavancar o desenvolvimento da América Latina, o fato é que no Rio esse processo intensificou o surgimento de favelas no Rio de Janeiro, como o Complexo da Maré, e marcou todo cenário de cidade que temos hoje.

Na década de 80, a banda Caverna, formada por jovens da Vila Aliança – futuros fundadores do Caixa de Surpresas – aglutinava outros jovens e crianças em suas apresentações. Outros grupos e cantores se aproximavam para ensaiar para apresentações na cidade. Esse primeiro momento foi marcante para o grupo pensar em ações de impacto na região. Em 1999, no Núcleo Sociocultural Caixa de Surpresa toma forma e passa a trabalhar com crianças, principalmente meninas, no reforço escolar e formação artística.

Início do Caixa de Surpresas quando ainda funcionava na casa de Leidimar Machado, coordenadora de projetos da instituição. Na foto, Luis dos Santos Costa, um dos fundadores da ONG. Foto: Arquivo pessoal

“Essa veia de realizar eventos vem de muito tempo. E agora estamos num espaço propício com mais segurança e tranquilidade” – Leidimar Machado.

Desde 2004, o Caixa de Surpresas se formalizou quanto ONG e passa a desenvolver um trabalho focado em cursos e oficinas de teatro (que resultaram nas peças As Faces de Romeu e Julieta e Que Cara Ela Tem), capoeira e judô. Além disso, o projeto apoia de diversas maneiras ações culturais de Bangu, como a Roda Cultural de Bangu, Samba com Sardinha e o Rock na Caixa. A ocupação de um prédio abandonado pela prefeitura é um grande aglutinador de realizadores culturais. “A comunidade tem diversos trabalhos, mas cada um faz o seu. A partir disso a gente foi um divisor de águas, não só na divulgação mas no fortalecimento cultural da região”, conta Leidimar Machado, coordenadora de projetos da instituição.

Passeata realizada pelo Caixa de Surpresas e CEDOICOM (Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher) realizada em Copacabana no Dia Internacional da Mulher em 2000. Foto: Arquivo pessoal

Esse ano de 2015 será o primeiro do convênio com a prefeitura para a atuação como Ponto de Cultura. O foco do trabalho será a formação e produção audiovisual.”Por que não utilizar essa febre,  do selfie, essa linguagem para se comunicar com o jovem?”, aponta Leidimar sobre as novas relações da juventude com a mídia. Além do curso básico, o Ponto de Cultura vai montar uma ilha de edição para que os alunos possam prestar serviços na área e complementar a formação deles para que os próximos cursos e oficinas possam ser ministrados por eles.

 

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