Circulando os Pontos: A Era do Rádio

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Circulando os Pontos: A Era do Rádio

A Agência de Rede para Juventude está criando dobras em sua metodologia! Sempre adepto do copiar e colar – reoperando e customizando os códigos – a Agência e a Escola Livre de Cinema (dois projetos da Avenida Brasil Instituto de Criatividade Social) serão base para o Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho com Infância e Juventude. Já falamos sobre o trabalho neste post sobre primeiro encontrão do Pontão e a série Circulando os Pontos vai mostrar o perfil da Rede Carioca dos Pontos de Cultura.

Emilinha Borba, Iemanjá e Novela: Sepetiba e o Ponto A Era do Rádio.

O Ponto de Cultura A Era do Rádio foi criado em 2009 por amigos de Sepetiba, em torno da referência da cantora Emilinha Borba, nome popular e referência feminina na região. Uma das criadoras, Emanuelle, é sobrinha neta da cantora e neta do fundador do primeiro clube náutico do bairro. O Ponto começou como um grupo de teatro comunitário, que também realiza oficinas, e já montou a peça Sepetiba Via Praia. O nome vem de uma linha de van que circula o bairro e fala sobre a mobilidade dos jovens pela cidade.

“Ele passa pela praia e vê um pescador. Aí ele vê um muro com um pescador grafitado. Aí ele e começa a despertar para o território e a construir sua identidade cultural” – Emanuelle Borba

Emanuelle Borba destaca a importância de uma produção cultural local num bairro onde a atividade da pesca convive com a crescente urbanização característica de uma região metropolitana, principalmente na Zona Oeste. Outro ponto do território bem marcante no trabalho realizado pelo A Era do Rádio é a questão religiosa. A crescente tensão entre seguidores de religiões de matriz africana e de outras crenças – impulsionada pela instalação de estátuas de Iemanjá nas praias do bairro –  é transformada na cobertura e exposição de fotos da Festa de Iemanjá, todo dia 02 de fevereiro.

Cortejo Literário é uma das ações do Ponto A Era do Rádio.

Além do teatro e da fotografia, o Ponto realiza oficinas de literatura, rádio, grafite e dança. Além de ter sido o local de referência para as inscrições para edital Ações Locais e apoiar outras iniciativas, como o Coletivo MariscArte. Como Ponto de Cultura – esse é o primeiro financiamento que A Era do Rádio está recebendo – o objetivo é intensificar as oficinas de mídia e construir uma rádio online. “É uma oportunidade de ver o que investimento público acontece e se extende”, conta Emanuelle, sobre esse próximo passo que o projeto está dando.

“Na verdade o que mais me move é a sensação de ser útil pro próximo, não só pra mim. O design fica muito refém de empresa, de propaganda – o que nem sempre é justo. Eu me choquei com essa realidade. Aqui eu posso passar o que eu aprendi, na faculdade e na prática. Fico satisfeito e ver que molecada entende, raciocina a e questiona. Vê outro horizonte”  – Lucas Ururahy

Designer, editor surfista, skatista, Lucas Ururahy (27 anos) é um dos representantes do A Era do Rádio que vai estar junto com o Pontão na formação para o trabalho com juventude. Nascido e criado em Sepetiba, com pai surfista, avô pescador e mãe professora, ele cuida da comunicação e das oficinas de mídia e grafite do Ponto. Como muitos jovens de origem popular ele teve que sair do bairro para morar em Campo Grande e cursar a faculdade de design gráfico na Universidade Gama Filho. Há pouco mais de um ano, a instituição foi fechada e o que para muitos estudantes foi um momento de crise, para Lucas foi também uma oportunidade de reinventar sua trajetória.

Lucas Ururahy ministrando um dos encontros da oficina de mídia.

“Estou esperando resolver essa situação [na faculdade] mas eu realmente me interessei pela parte de atuação social, produzir algo com design e arte com cunho social”, conta Lucas, que já engatou uma segunda graduação (à distância) de licenciatura em artes visuais. Ele colabora com A Era do Rádio desde o início. A primeira intervenção foi a pintura o painel em frente à sede do projeto. “Espero esta adquirindo um conhecimento que eu possa trazer pra deixar aqui mais eficiente”, conta Lucas sobre suas expectativas em relação à parceria com o Pontão. “Tenho carinho pelo bairro vou me esforçar para que aqui melhore. Fazer crescer esse leque de opções e esse espaço cultural”.

E as redes e realizações não param. Nos próximos dias, Emanuelle viaja para os Estados Unidos, no primeiro intercâmbio promovido pelo Pontão. A conferência Iniciativas Educacionais e Empreendedoras de Suporte à Jovens em Áreas de Violência, realizada pela Universidade de Stanford, vai apresentar ações que reinventam espaços populares de diversos países (além do Brasil, México e Inglaterra, por exemplo). E em maio, o Ponto vai participar da exposição Mulheres Notáveis, no  Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), levando o acervo da cantora Emilinha Borba.

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