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Cinco coisas que vão mudar sua opinião sobre a juventude de periferia

por Carolina Lourenço, Jeandson Moreno, Juliana Sá, Matheus Trindade, Mayara Ximenes e Maycom Brum

Sábado passado rolou o segundo dia de entrevistas para seleção dos bolsistas do ciclo 2015 da Agência de Redes para Juventude. Se já não bastasse a grande demanda que surgiu ao longo do processo, neste sábado ainda chegaram jovens indicados por amigos que já haviam realizado sua entrevistas, como Larissa Lourenço, 19 anos, que foi até a CEB Santa Veridiana, em Santa Cruz, indicada e acompanhada por Kaique Santos. Valeu até mobilização pelo WhatsApp, como fez Ruzel de Rezende, no Batan.

Para saber como foi o primeiro dia de entrevistas no Batan, Rocinha e Santa Cruz clique aqui. Veja aqui a matéria sobre o sábado na Cidade de Deus, Centro e Pavuna.

Durante esses dois dias, diversas histórias apareceram. Você confere aqui cinco dessas histórias que mostram como esses jovens inventam a vida na cidade.

1 – Põe a beca e cai na pista

Dar uma checada no espelho antes de sair de casa, passar um gel no cabelo para fixar, experimentar roupas, calçados e acessórios com todas as combinações possíveis. Seja para curtir aquele rolê esperto ou mesmo para realizar uma tarefa mais rotineira, o cuidado com o visual é essencial. E para chegar no segundo dia de entrevistas para a Agência de Redes para Juventude na ASVI (Associação Semente de Vida da Cidade de Deus) não poderia ser diferente.

Carlos Allan dos Passos, 17 anos, morador dos apês (área da CDD), foi um desses jovens que chegaram no estilo. Cordão dourado com pingente de diamante, anel prateado no polegar e piercing no nariz eram alguns dos acessórios usados.

Durante a semana ele trabalha num quiosque na praia do Recreio, mas não deixa de reservar um horário para ir ao salão de beleza nos finais de semana, já que se considera muito vaidoso. Além de cuidar do estilo, Allan trouxe para sua entrevista uma outra habilidade: cozinhar.

“Pelo fato de morar da Cidade de Deus, [o jovem] é visto com preconceito, então as pessoas já olham torto: favelado, cheio de gíria. Só por causa de morar nessa localidade” conta Allan, que quer através da gastronomia mostrar novas facetas da juventude popular.

Corte do Jaca é com ele mesmo!

No Batan, Renan da Silva, 18 anos, é conhecido como Jacaré e faz da criação de estilos seu modo de ganhar a vida.

Ele se mudou para a comunidade com 14 anos, e assim que chegou teve a ideia de improvisar um salão no pátio do prédio onde mora. Uma cadeira, um espelho, um pagode para climatizar o ambiente, e pronto: estava ali o salão.

Hoje, depois de 4 anos morando no Batan, ele tem um clientela fiel, e disse que o apelido “jacaré” veio porque ele é especialista em “mandar o corte do jaca” na cabeça da molecada. Sua ideia na Agência é aprimorar seu salão e especializá-lo em cortes da moda.

2 – Faz da favela seu próprio Vale do Silício

A curiosidade pela tecnologia não é uma novidade para a juventude de origem popular. Desmontar a fita cassete, montar caixas de som para bailes, criar lan-houses são exemplos dessa tradição de desvendar o hardware. Com a chegada de dispositivos móveis, como celular e tablets, as lojas de conserto desses aparelhos são um negócio valioso nos territórios populares. É como dizemos na Agência: gambiarra é startup.

O jovem Pedro Henrique, 15 Anos, morador do Jacarezinho e estudante do ensino fundamental, é um desses jovens apaixonados por tecnologia. Um verdadeiro hacker. Suas habilidades viraram assunto na favela e o jovem começou a ser procurado por outros moradores para fazer pequenas manutenções. “Às vezes é só reiniciar o celular, mas as pessoas não sabem. Aí eu faço e não cobro”, conta Pedro, que tem vontade de abrir uma loja de tecnologia (essa foi a ideia que ele trouxe para sua entrevista na Agência) e estudar Direito.

3 – Aprende tudo no YouTube

Não só de entretenimento vive a internet. As redes sociais, as ferramentas de buscas, plataformas e sites diversos têm se tornado cada vez mais aliados na democratização de conteúdos de difícil circulação em meios convencionais de difusão de conteúdo. A criação de conexões entre pessoas aproximam repertórios e territórios.

Ana Christina, 20 anos, mora na estrada de Sepetiba e foi indicada por uma amiga para realizar a entrevista na CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) em Santa Veridiana. Ela contou que acessa canais no YouTube sempre que possível para estudar, seja para fazer a prova do ENEM ou para conhecer mais a Psicologia Forense, carreira profissional que quer seguir.

Ao buscar vídeos informativos e séries sobre a área – influenciada por um amigo da Igreja Batista graduando em Psicologia – a jovem apaixonou-se pelo curso e adotou o Youtube como método de aprendizagem, uma vez que livros sobre o assunto são muito caros. Christina disse ainda que não se prende a um canal específico, pois gosta de ouvir várias opiniões e explicações sobre este campo da psicologia.

4 – Não tem vergonha de ser quem é

Desbravar oportunidades, fazer mais com menos, crescer. Desafiando o discurso do ‘subestimado’, eles encaram suas vivências sem medir forças para desenvolver seus desejos e, por isso, consideram como sua marca a garra.

Uma das ideias que já está em ação é a do Leonardo Santos, 17 anos. Ele pretende criar uma marca de blusas e suas primeiras experimentações são feitas nas suas próprias camisas. Ao sair da entrevista, o rapaz mostra sua ideia, atitude e ainda manda o recado: “O jovem não deve ter vergonha de ser o que quer ser”.

"O jovem não deve ter vergonha de ser o que quer ser", declara Leonardo Santos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 – Vai de longboard free hard

Nos últimos anos, a periferia carioca tem visto a popularização do skate como diversão e esporte, tanto para crianças quanto para jovens que encaram o skate como um estilo de vida. Entretanto, nem sempre existe um espaço adequado para a prática.

O jovem Andrew Lima, 18 anos, foi mobilizado para as entrevistas para a Agência descendo para a praia. No dia-a-dia na Rocinha, o mais comum é ele andar de skate e ter que percorrer grandes distâncias para achar uma pista adequada para o seu longboard – a mais próxima do seu território fica na praia do Recreio.

“Eu gosto de andar de skate final de semana. Ando lá na pista do Recreio. Vou ‘de longboard free hard’, todo mundo vai, po! Não tem dinheiro de passagem, vai remando mesmo. Só não dá para trincar o skate fazendo manobra em qualquer lugar”, conta Andrew.

 

 

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