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CICLO 2019: O CICLO DA ESCUTA E DO AMADURECIMENTO

O ciclo 2019 da Agência já começou! Estamos na sexta semana, com cinquenta jovens com potencial de liderança participando de nossas encontros de criação. No  próximo sábado tem Feira de Ideias, e como numa feira, os jovens apresentarão ideias, buscando conexões entre elas. Nossa coordenadora Veruska Delfino acredita que é um ciclo de amadurecimento, o primeiro em que estamos com um grupo que já atua na cidade, e que tem potencial de estar em locais decisivos nas cidades e nos seus territórios:  “A gente quer estimular as ações desses realizadores, para que eles sejam uma inspiração para outros jovens”.

O ponto de partida pra esse entendimento foi o mapeamento social feito pela Agência em três pequenas favelas do Rio. Conversamos com jovens que estão fora do ciclo social de projetos e percebemos a quantidade de demandas deles – da falta de apoio a mães jovens à falta de projetos socioculturais e de lazer. Foi a partir daí que entendemos que era importante identificar as potências dos territórios, mas também escutar as demandas dos jovens desses territórios. Se 2019 era esperado como o ano das provações, a Agência tinha que chegar junto e acolher os jovens realizadores que já tinham passado pela metodologia. Era preciso cuidar deles e de seus projetos antes de começar a trabalhar com outros jovens.

O pontapé pra começarmos os trabalhos da Prática de Potência foi

Os jovens na aula inaugural com Marcus Faustini, na UFRJ

a aula inaugural na UFRJ, no dia 17 de agosto. Foi dia de sentar com os jovens e apresentar os resultados da pesquisa, além de dar as boas-vindas para o segundo ciclo da maioria. O sábado seguinte já seria de estúdio, para dar início ao Ciclo de Estímulos. É neste momento que os jovens criadores são estimulados a apresentar suas ideias e transformá-las em projetos. A cada sábado, nossas mediadoras Sinara Rúbia (Núcleo Zona Norte) e Mariana Xavier (Núcleo Zona Oeste) usam diversos instrumentos da metodologia a A Prática da Potência para encorajar os jovens a refletir sobre suas causas, seus territórios, suas ideias e suas redes.

 

QUEM SOU EU, QUAL É A MINHA CAUSA?

No Ciclo de Estímulos deste ano, os jovens líderes estão sendo incentivados a olhar para as questões que os cercam de forma diferente. Quem sou eu, qual é a minha causa? O que estou fazendo aqui? Quais são as demandas do meu território? O que já existe aqui e com quem posso me conectar para fortalecer meu projeto? Essas são algumas das questões que discutimos na Reunião de Formação da Agência, pra desenvolver a metodologia a ser aplicada por Sinara e Mariana nos estúdios. E o processo não é complexo e intenso à toa. O objetivo é que as ideias dos jovens virem ações e projetos que impactem os territórios de cada um, com data certa para acontecer: em novembro, na Semana Jovem Faz Pra Jovem, quando nossos jovens colocam a mão na massa e os projetos se concretizam.

No primeiro estúdio do ciclo 2019, a Bússola foi usada para direcionar os jovens em relação ao ciclo em sua totalidade. Na Roda de Oportunidades, dividiram com os colegas as oportunidades que achavam que teriam nesse ciclo. No Núcleo Zona Norte (Pavuna) o autoconhecimento surgiu de maneira muito forte. Os jovens perceberam a importância do Reconhecimento de Si, tanto para o desenvolvimento pessoal deles, quanto para abrir outros caminhos para seus projetos. No encontro seguinte, no dia 31 de agosto, o instrumento explorado foi o Inventário. Foi um dia de imersão nos sentimentos: queríamos nos aprofundar nos propósitos por trás de cada projeto. Para isso, questionamos os jovens sobre qual causa mais os emocionava, e por que.

Para Carla Cristine, do Núcleo Zona Oeste (Santa Cruz), o instrumento propiciou um momento de reflexão sobre eles mesmos, enquanto jovens lideranças das favelas: “Foi importante pra gente relembrar e pensar o queremos para as nossas vidas, qual vai ser a nossa rotina, e como a gente vai conseguir alcançar as pessoas da nossa favela com os nossos projetos pessoais”, disse. Durante a semana, usamos o Whatsapp – mecanismo também usado como parte da metodologia – para mais uma atividade. Os jovens receberam uma espécie de enquete e deveriam escolher uma opção entre Empreendedor Social, Ativista, Líder Comunitário, Artista Independente e Produtor Cultural. As respostas serviriam de base para o terceiro estúdio.

Carla Cristine e as colegas com o Inventário, durante o segundo estúdio

Chegamos a mais um sábado, e na Pavuna, Sinara anunciou: “Hoje é dia de Letramento! Hoje, jovem de favela e de periferia vai escrever!”. Sentaram para ler cartas, pois em seguida, escreveriam uma para um tutor imaginário, que pudesse ajudá-los a desenvolver habilidades para trabalhar em seus projetos. Usamos o Abecedário da Agência para guiá-los na escrita. Em roda, os jovens externaram algumas das palavras que surgiram durante o exercício: criatividade, coração, coragem; mapeado, marginal, momentos marcantes; ação, ancestralidade, agência, acolhimento; sonhos, sustentabilidade, significado, saúde mental. Foi o início de uma reflexão que continuou com a escrita das cartas, pensando as habilidades que eles precisariam ter para desenvolver suas causas.

A TROCA COMO POTÊNCIA

Jovens do Núcleo Zona Oeste trabalham em seus Mapas

Já estávamos no meio de setembro, chegando ao quarto estúdio. Nesse dia, o instrumento escolhido foi o Mapa. A ideia era usá-lo como ferramenta para observar o mundo externo de outra forma; para treinar o olhar para fora. Depois de um primeiro movimento em que os jovens contaram algo que os outros não soubessem sobre eles, começamos o Sarau de Novidades. Os jovens tiveram que escrever no mapa coisas novas e potentes que viram acontecer nas favelas e periferias do Rio de Janeiro no último ano. No Núcleo Zona Oeste, Rodrigo Cortez percebeu que os projetos que surgiram na roda muitas vezes já eram conhecidos por eles, só faltava mudar o olhar: “Eu sabia do que estava acontecendo no meu território, mas ainda não tinha visto aquilo como uma potência. Então a parte legal do instrumento foi perceber isso, e também ver que o projeto do meu território não está acontecendo só ali”, disse. E acrescentou: “Comecei a ver meu projeto como uma potência, como uma resposta pra um público periférico, ocupando um espaço que não existia antes. E é trocando com os outros a gente começa a enxergar isso de outra forma”.

A troca foi também a inspiração para o quinto estúdio, do dia 21 de setembro. O dia foi de imersão em estudos de caso com as nossas coordenadoras Valquiria Oliveira e Veruska Delfino. No Núcleo Zona Oeste, Veruska trouxe para a roda o Festival Todo Jovem É Rio, e detalhou o processo de produção e de mobilização dos jovens para que o festival tenha sido a potência que foi. No Núcleo Zona Norte, Valquiria falou sobre a experiência do Home Theatre, o festival de cenas em casa. Ela também se aprofundou nos processos de produção do festival, e junto com os jovens, discutiu a importância do conceito de casa, quando falava da sua relação com a cidade e da própria circulação na cidade. Os jovens conseguiram entender melhor os processos de projetos próximos a eles, e poderiam trazer aquelas questões para o desenvolvimento dos seus próprios projetos. Elaine Rosa, do Núcleo Zona Norte, enxergou a imersão como um novo passo na metodologia: “Pra mim foi muito importante no sentido de a gente sair de um processo de introspecção e de análise interna pra entrar num debate sobre uma experiência prática”, disse. Para ela, foi muito potente identificar e entender como todo o processo de olhar pra dentro, que está muito presente no Home Theatre, pode ser trazido para fora, no modo de fazer do projeto.

Jovens conversam com nossa coordenadora Valquiria Oliveira sobre o Home Theatre

Os jovens criadores dos dois núcleos seguirão trabalhando e trocando uns com os outros pelos próximos meses. A metodologia vai sendo colocada em prática, A Prática da Potência, e culminará em ações e projetos desenvolvidos pelos jovens líderes para seus territórios. Na Semana Jovem Faz Pra Jovem, eles vão circular a cidade, atuar diretamente nos territórios, engajar outros jovens. É o momento de colocar em prática as ações culturais pensadas ao longo do ciclo 2019. De jovem pra jovem, de favela pra favela, de potência pra potência, com escuta e amadurecimento: esse é o ciclo 2019.

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