Caravanas: a Agência bate em sua porta

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Bater de porta em porta, andar pelas mais diversas áreas de uma favela, conversar sobre ideias de vida e ações no território é a missão que a equipe da Agência de Redes para Juventude está executando através das Caravanas de inscrições para o novo ciclo da Agência.  No esforço de montar uma turma diversa, com vários tipos de jovens da comunidade, a equipe visita prédios, praças, igrejas, academias, lanchonetes e diversas esquinas, becos, escadarias e outros espaços na procura por novos corpos e ideias para mudar a cidade.

Saiba um pouco como foi a mobilização em cada comunidade.

Na Rocinha: praia, trabalho e ideias

No meio do caminho para a praia, numa sexta-feira ensolarada na Rocinha, Ana Carolina Pereira (17 anos), Estefany Silva, Thais Dias e Tuane Santos (as três de 20 anos) toparam com uma jovem produtora equipada de prancheta, imãs, uma blusa azul e uma proposta ousada: Você quer ganhar R$ 100,00 por mês e concorrer a R$ 10 mil para colocar uma ideia sua no seu território? Ana Carolina logo se animou e viu nas habilidades de estética de cada uma do grupo uma ideia para sua vida no território. “Adoro fazer unha. Seria uma boa abrir um salão para mim”, conta a jovem.

Ana Carolina, Thais, Tuane e Stefany se inscreveram na Agência antes de curtir o dia na praia.

 

 

Tamiris Barcellos, de 16 anos, estava na esquina da Rua 2 equipada com fone de ouvido que tocava Bring Me The Horizon. Um pouco relutante no início da conversa com o produtor Jorge Wallace ela logo foi cativada ao lembrar que o Fala Roça, jornal comunitário na Rocinha, foi desenvolvido através da metodologia da Agência. Ela topou se inscrever e, se selecionada, vai tentar conciliar a participação na Agência com outra atividade do sábado. “Eu dou aula de reforço de matemática, português, geografia e história. É importante para criar harmonia com o outro, ver o interesse em estudar”, conta a jovem que está a 4 anos nessa atividade.

No fone de Tamiris toca Bring Back The Horizon.

Além da mobilização no local, o boca-a-boca é essencial. Andreza Silva, de 27 anos, é uma grande mobilizadora na Rocinha, principalmente de juventude LGBT. Sempre ligada nessas questões ela já indicou mais de 15 amigos para se inscrever. “Eu trabalho na Secretaria de Municipal de Desenvolvimento Social e eles sempre estão fazendo cursos, palestras sobre homofobia e coisas assim. Trabalhando lá dentro sempre sei disso tudo antes e eu aviso todo mundo, já que a maioria dos meus amigos é travesti”, conta Andreza que vê na Agência uma oportunidade de desenvolvimento. “A maioria já está fazendo curso de cabeleireiro, administração e fotografia. Pensam em crescer”, completa a jovem.

No Batan e Fumacê inscrições até no ônibus

No sábado, a equipe foi mobilizar no Fumacê e no Batan. Dos prédios do Condomínio Residencial Água Branca ao Morrinho (a localidade mais pobre do Batan), os produtores encontraram vários tipos de jovem, da jovem mãe àquela que em breve vai ingressar na universidade, do jovem que trabalha aos sábados àquele que é sustentado pela avó. Para Luiz Salazar, produtor do núcleo Centro, a principal diferença entre as duas comunidades é local para se encontrar pessoas. “Na Rocinha, tinha muito movimento na rua. No Batan, foi um trabalho mais de formiguinha”.

Além disso, os produtores perceberam que na região ainda existe um certo receio dos jovens de cruzar a fronteira entre as duas comunidades. Apesar disso, Salazar foi surpreendido por uma inscrição logo após comprar água numa padaria referência na região e Camila Perez, produtora da Rocinha, descolou uma inscrição no ônibus quando já voltava para casa.

Um dos jovens inscritos é Bianca Oliveira, de 21 anos, moradora do Fumacê e apaixonada por fotografia.  “Eu sempre quis fazer um projeto voltado para identidade de uma favela, para maneira de se olhar e olhar para onde você vive”, conta a jovem que acredita que a Agência possa ajudar na criação de um projeto de pinhole, um método alternativo e simples de fazer fotografias.

Próximas Caravanas

Nesta semana, as Caravanas serão na Cidade de Deus, onde a Agência já conta com a parceria da ASVI e do apoio do jornal CDD Acontece.; e em Santa Cruz, onde o jornal Alô Comunidade e as faixas feitas pela Lona Cultural Sandra de Sá já trouxeram novas inscrições e uma forte aliada: Dona Severina, que ligou para a base de produção da Agência pensando em inscrever seu sobrinho e indicou outros jovens durante a ligação.

A receptividade dos moradores do território e das instituições locais só mostra o quanto o território popular é potente e que acredita na juventude como um sujeito de direitos e de mudança. “A gente tem uma estratégia, mas é preciso ter esse olhar sensível para os insights que aparecem. Não podemos desperdiçar a potência de quem pode ser seu aliado no território, pois essa pessoa entende o local. Dona Severina pode chegar num jovem que a gente não chegaria”, conta Veruska Delfino, coordenadora de produção da Agência. Criar essa referência no território é um sinal de confiança para o jovem que quer se inscrever, principalmente aquele que não se enquadra no padrão engajado. “Se a gente não falar que é possível, o jovem vai achar que só o mais descolado da rua é quem pode entrar”, completa a coordenadora.

Para se inscrever é só enviar um e-mail  para agenciarj2015@gmail.com (colocando como assunto do e-mail Seleção Jovem) informando nome completo, data de nascimento, CPF, RG, endereço, nome do responsável, telefone, e-mail e Facebook; ou ligar para 2224-5102 (entre 10h e 18h, de terça-feira à sexta). Avante!

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