Caminhos para o trabalho com infância

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Por Diego Bion, Hanier Ferrer, Luciano Aires e Marina Moreira (Coordenação do Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho com Infância e Juventude)

Nos dias 10 e 11 de abril aconteceu no Rio de Janeiro o II Fórum de Infância e Cultura, realizado pelo Centro de Referência Cultura Infância. O encontro reuniu diversos educadores, profissionais de diversas áreas agentes culturais voltados para o trabalho com a infância. Representantes do Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho com Infância e Juventude (um desdobramento da metodologia da Agência de Redes para Juventude e da Escola Livre de Cinema) estiveram presentes e selecionaram três pontos relevantes a serem desenvolvidos e redescobertos nos próximos anos de atuação do Pontão.

O Fórum, desde de sua primeira edição em 2014, tem como objetivo incluir na formulação do Plano Nacional de Culturas metas que deixem claras mecanismos de apoio à garantia dos direitos da criança. Até o momento, a meta 47 (100% dos planos setoriais com representação no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) com diretrizes, ações e metas voltadas para infância e juventude) contempla a infância de forma objetiva. A Carta do Rio para Cultura Infância é o documento que encerrou o primeiro encontro e deu a base para as novas formulações em 2015.

AS CRIANÇAS

Existe uma percepção geral de que as crianças das duas últimas décadas estão bem distantes do imaginário de infância do século XX. O crescente contato com as tecnologias digitais e seus discursos mostram, de uma maneira geral, crianças mais espertas e participativas no contexto em que estão inseridas. Essa condição também é acentuada pelo ritmo geral da vida contemporânea: jornadas de trabalho extensas dos pais e os trânsito das grandes cidades e regiões metropolitanas reduzem o tempo familiar. Dessa maneira, as crianças tomam contato com outras instâncias e pessoas formadoras (como creches).

Acreditamos que diante desse cenário – um, dentre muitos, até mesmo na cidade do Rio de Janeiro – é preciso criar formas de trabalho que considerem a opinião da criança e que a levem à expressão. Mesmo que os códigos das criança não sejam de tanta complexidade como a de um jovem ou adulto, as condições do mundo atual exigem uma formação de mão dupla (ou de múltiplas vias).

A realidade exposta acima encaixa-se numa realidade de crianças que possuem pais ou responsáveis mais próximos (como avós, tios e outros familiares) em ambiente urbana. Entretanto, uma das questões levantadas e que merecem ainda muita atenção e trabalho são as crianças que vivem em orfanatos e em abrigos, por condições diversas.

OS ESPAÇOS

Nossa visão é que os espaços precisam ser cada vez mais horizontalizados. É preciso ter cuidado com institucionalização do brincar, para que não seja mais um instrumento pedagógico. Levar uma brincadeira para um espaço fechado e institucionalizado pode ter seus benefícios, mas reduz muito a ideia de experimentação e protagonismo da criança. A rua pode ser disputada e resgatada para uma vivência positiva de liberdade e autonomia.

Além da rua, o espaço da casas também podem ganhar novos significados. As reflexões e experiências de Alemberg Quindins da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, foram muito valiosas. “Ninguém tem tempo de criar o filho, trabalha na escola para criar o filho dos outros e que que outros criem os filhos deles”, aprofunda Alemberg em relação a sua colocação num dos Grupos de Trabalho sobre o tempo da família e o espaço formativo da casa. Sobre essa ideia, a Agência acredita que um possível investimento público (proposto na Carta do Rio para Cultura Infância) deveria ir para a ponta, para espaços comunitários e ações territoriais que pudessem atender as crianças com maior particularidade possível.

OS RECURSOS HUMANOS

Diante das situações expostas acima, a Agência acredita que a formação para o trabalho com infância deve apostar na sensibilização e no entendimento do espaço da criança. Considerando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, LEI 8069/90), que entende crianças e adolescentes como sujeitos de direito, o papel de um educador deve ser o de mediador e estimulador de expressões e repertórios.

 

 

 

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