Avatar: um corpo e muitas possibilidades

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Avatar: um corpo e muitas possibilidades

Por Barbara Horrana (João XXIII), Carolina Lorenço (Cidade de Deus), Jeandson Moreno (Centro e Rocinha), Juliana Sá (Batan), Mayara Ximenes (Veridiana – Santa Cruz), Maycom Brum (Pavuna).

O avatar é um simulacro, uma forma de agir que se pode pegar emprestada, uma identidade que se pode vestir e trocar na medida em que for conveniente. A partir desse instrumento, a Agência de Redes para Juventude mostra possibilidades ao jovem de mobilidade pela cidade e de conexão com novos agentes para realização de seus projetos. A ideia de agenciamento proposta pela metodologia passa também por desmistificar certos comportamentos – condensados em simples fases como “seja você mesmo” – para que o bolsista possa ampliar suas formas de lidar com diferentes situações na cidade.

No estúdio de criação do último sábado, os bolsistas do #CiclodeEstímulos2015 participaram de um jogo de improviso em que assumiram avatares em diversas situações com desafios específicos. Depois, para dominar a ferramenta “no papel”, identificaram por território os jovens que mais se aproximavam de cada avatar.

QUESTIONADOR(A)

Alessandro Fontes, Jadson Oliveira e Rayssa Florenço da Agência Batan

Ele é o que está sempre preocupado em dar mais qualidade às ideias e aos processos. Uma das suas principais características é estar atento ao contexto. A partir das suas percepções, formula interrogações, pesquisas e argumentações com o objetivo de levar o grupo a perceber novas possibilidades e refletir sobre a melhor forma de realização.

Um exemplo do avatar questionador é o Jadson Oliveira, de 16 anos, bolsista do núcleo Batan. Com um jeito curioso e provocativo, ele já chegou na Agência com alguns questionamentos: “O que tem no Batan? O que ele precisa de diferente?” Essas perguntas foram exploradas ainda individualmente, sendo feitas ao próprio Google, e depois aos outros jovens do núcleo.

A identificação espontânea com o avatar veio pelo pensamento de que um questionamento pode ser a oportunidade de criar algo novo. Por isso, ao longo dos estúdios de criação, se sentisse necessidade de intervir e perguntar para esclarecer algum tema ou instrumento ele sempre o fazia. Seu objetivo era ter uma ideia que mostrasse o território de uma forma impactante e criativa. Atualmente, ele está construindo a ideia de projeto Nova Geração, um espaço para atividades com crianças do Batan onde ele realizará oficinas de colares.

DESBRAVADOR(A)

Camila Stork, bolsista do núcleo João XXIII.

Cessar a bravura; amansar; retirar os obstáculos; limpar a passagem; abrir; transpor desafios: esses são alguns dos significados encontrados no dicionário para conceituar o ato de desbravar. Sendo assim, o avatar Desbravador, uma das figuras instrumentais utilizadas na metodologia da Agência, é aquele que tem por característica ser um explorador das possibilidades, o que tem coragem de arriscar. Motivado pela aventura, é o que vai em busca do desconhecido sem medo dele, para assim dominá-lo. O avatar Desbravador, em conjunto com o seu grupo, é o que assume ser o cérebro do projeto.

Ser um desbravador no território de Santa Cruz é dos desafios enfrentados por Camila Stork, bolsita do núcleo João XXIII. A região que é tida como local de poucas oportunidades, a partir da atividade de identificação dos avatares, é ressignificada pela jovem de 25 anos. Ela percebe que uma das funções incorporadas pelo desbravado é a aquela de explorar uma área que, a princípio, pode ser vista como infértil. E a partir disso, encontrar pontos e caminhos positivos que vão agregar às ideias formas mais concretas de se estruturar os projetos surgidos no estúdio da Feira das Ideias.

“Eu me identifiquei como desbravadora porque já estou acostumada com a rotina de desbravar, desde criança eu já fazia isso e não tinha noção. Aos 10 anos de idade, comecei a trabalhar catando lata quando meus pais se separaram. Fazia isso para ajudar a minha mãe a comprar comida”, conta a jovem. Segundo Camila, o avatar desbravador é que detêm muitas responsabilidade dentro do projeto e, consequentemente, poderá ser mais almejado por perguntas. “Eu posso ajudar meu grupo, pois o desbravador é o explorador de ideias, pesquisa território, parcerias e patrocínios, com objetivo de tomar as boas iniciativas dentro do projeto”.

COLABORADOR(A)

Lucas será colaborador no projeto JP2 Grife.

Coautor, facilitador, sócio, parceiro e cooperante são alguns dos termos que também usamos para chamar o Colaborador. Ele tem a responsabilidade de ajudar os outros membros do grupo a conquistar os objetivos. Para isso, não mede esforços ao buscar por informações e ferramentas necessárias ao projeto, além de contribuir com ideias.

Desde a primeira menção ao Avatar feita pela mediadora Clara Lobo, o bolsista do núcleo CDD Lucas Ferreira, de 17 anos, já marcou presença respondendo sobre o papel de cada um. Durante a dinâmica de introdução, em que os jovens agiram de acordo com algumas situações predefinidas, ele soube incorporar quase todas as personalidades, incentivando até os mais tímidos.

Mas essa não foi uma tarefa difícil para o Lucas, que realiza diversas atividades como atletismo, capoeira e teatro, além de ser modelo. Ele falou que como faz capoeira há oito anos, às vezes, abre a academia para o professor e ajuda os alunos mais novos durante as aulas. Também foi desse jeito “querendo dar uma mão” que tornou-se o ator principal da peça Morrão. “O ator principal teve que cancelar, me chamaram para cobrir e eu fiquei com o papel”, conta o jovem.

A partir do próximo sábado, no Ciclo de Estímulos, Lucas será bolsista da manhã e entrará como Colaborador no projeto JP2 Grife, uma marca de roupas customizadas que serão vendidas em eventos na comunidade. A ideia da mudança surgiu durante o NOW – Encontro Internacional de Cultura e Juventude, que aconteceu na Pavuna, onde ele conheceu os outros integrantes do grupo: Jefferson, Pedro Henrique, Junior e Pablo.

“Eu entendo um pouco de moda, gosto de me vestir diferente e de andar bonito” conta Lucas, que desfila para lojas de roupas e também é modelo fotográfico. Segundo ele, que disse ter se encaixado tanto no projeto como na função, poderá contribuir com ideias a partir da sua experiência. “Acho que vou ajudar bastante no projeto pelo meu próprio conhecimento na moda”.

REALIZADOR(A)

Rafael Ferreira, de 15 anos, e Arthur Araújo, de 17 anos.

“Os convidados já estão quase chegando e no prédio que o evento vai acontecer acabou a luz. O que vocês fariam?”, pergunta Bruno Lima, mediador da Agência Centro, na dinâmica de introdução dos avatares. A jovem Caroline Ferreira, de 22 anos, moradora do Complexo do Alemão, propôs ligar para o porteiro e, simultaneamente, entrar em contato com o suporte técnico.

Essa postura de gerar possibilidades mostrou as tarefas de uma Realizadora, o avatar que disponibiliza ferramentas para desenrolar os nós que aparecem e conseguir concretizar ideias. Na performance, Carol foi bem como Realizadora, mas segundo a jovem, durante seu projeto que ainda não tem nome definido, ela prefere ser colaboradora. “Eu não tenho tantas ferramentas, mas eu tenho mais atitude de ir buscar. Talvez eu seja melhor como colaboradora”, comenta.

A dinâmica dos avatares também mostrou outros pontos de vista na Agência Rocinha. Rafael Ferreira, de 15 anos, sentiu-se pressionado durante sua atuação como Realizador ao ter que manejar ferramentas, pensar em contatos e resolver questões. Para ele isso significou um ponto positivo. “Pensar sob pressão é bom porque pode desenvolver o projeto mais rápido e ampliar a visão. Sem pressão pode ser pior porque não vai mais haver preocupação com o projeto, vai continuar no obstáculo”, detalha o jovem.

FELIZ

Bolsistas da Agência Pavuna na dinâmica do Avatar.

Ele chega sempre animado e vive compartilhando sorrisos. Seu estado de positividade pode até aparentar que está alheio ao que acontece, mas ele é o que sempre percebe quando o clima da equipe não está muito bom e trabalha para ajudar a equilibrar.

Na Pavuna, Cristian foi identificado como “o feliz”. “Ele sempre chega rindo e sempre nos estimulando, achava isso uma parada normal, mas com o avatar percebi que ele tem um papel fundamental no projeto, ele é o feliz”, comenta Edmar da Silva, do projeto “Solta a Voz”.

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