AUTOCUIDADO E RECOMEÇO PARA A JUVENTUDE DE PERIFERIA

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AUTOCUIDADO E RECOMEÇO PARA A JUVENTUDE DE PERIFERIA

Jovens de periferia estão incluídos no debate sobre saúde mental, cada vez mais comum durante a pandemia? Essa foi a pergunta norteadora trazida pelos jovens e adolescentes líderes do Geração que Move em uma das formações online de julho. A partir do questionamento, eles começaram a esboçar o que viraria o Correterapia, encontro online para debater saúde mental, autocuidado e o reflexo da pandemia na vida de jovens de periferia. O evento aconteceu no dia 12 de julho, em homenagem aos 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Logo no início do encontro, as jovens líderes Moanan Couto e Carol Dupré explicaram o que era o Estatuto, com foco no artigo 4º. “Explanamos essa parte do Estatuto, que faz muito sentido no Geração que Move. O artigo 4º fala dos direitos em geral e por quem esses direitos têm que ser guardados – pela sociedade, pelo poder público, por toda a comunidade”, comenta Carol. Em sua participação, ela usou dessa explanação para incentivar os convidados a escreveram na caixa de bate-papo sobre quais direitos as crianças e adolescentes têm, ou deveriam ter.

“Direito de cultura”, “direito à alimentação”, “direito à educação” foram algumas das frases que surgiram nos dois minutos da atividade. Na pandemia, quando esses direitos se tornam ainda mais escassos para crianças e adolescentes de periferia, é também quando conversas como essa, de jovem pra jovem, se fazem ainda mais necessárias. “Foi uma sensação boa bater esse papo, todo mundo dando sua opinião, interagindo”, diz Cauan Alves, convidado do Correterapia. Ele foi um dos adolescentes que desabafou sobre a ansiedade gerada pela pandemia, sobre como está sendo passar por isso e sobre como imagina a volta à escola e ao trabalho.

Um dos blocos do encontro online foi pensado justamente a partir do entendimento de que o debate sobre autocuidado e saúde mental precisa chegar à juventude de periferia. Raissa Rodrigues e Ana Acioli foram as responsáveis por mediar o bloco que faria uma introdução e reflexão sobre os temas. “Autocuidado é um tratamento que começa de dentro pra fora, a partir do momento em que você adota um conjunto de atitudes com o objetivo de cuidar de si”, disse Raissa.

Em sua fala, Ana lembrou que a juventude ali presente, de periferia, é a que está em maior situação de vulnerabilidade. “Então a gente nunca foi ensinado a se cuidar. Saúde mental e autocuidado são palavras que a gente não vê muito nas comunidades. É importante pra gente que tem isso tão negado no nosso cotidiano, seja por falta de tempo ou de dinheiro, pegar a nossa rotina e refletir sobre como a gente pode fazer daquilo o nosso momento de autocuidado, nas coisas simples da vida, seja na cozinha, seja na caminhada pra ir comprar o pão”, pontuou a jovem.

As reflexões iniciadas naquele domingo permaneceram e se transformaram em ações na vida dos convidados. Ana Gabriele Furtado, moradora do conjunto João XVIII, Zona Oeste do Rio, disse que passou a pensar em como tem se cuidado e sobre como relaxar durante a pandemia. “O encontro me estimulou a fazer coisas que são mais saudáveis pra mim, como continuar pintando, que é algo que eu gosto muito e alivia meu estresse. Também estou começando a fazer exercícios físicos”, relata Ana Gabriele.

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