AS ROTAS AFETIVAS DA JUVENTUDE POPULAR

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AS ROTAS AFETIVAS DA JUVENTUDE POPULAR

O ensaio aberto da peça Guia Afetivo da Periferia, de Marcus Faustini, foi realizado na noite desta quinta-feira (10). A apresentação, seguida de conversa com a plateia, foi destinada à alguns convidados, integrantes da equipe da Agência de Redes para Juventude e a jovens que estão participando da metodologia do projeto. A sessão aconteceu já no palco do Teatro Serrador, espaço que sediará a temporada da peça até abril.

O Guia Afetivo da Periferia, livro escrito por Marcus Faustini - criador da metodologia da Agência - ganha vida no teatro.

A peça, que entra em cartaz nesta sexta (11), é uma adaptação do livro Guia Afetivo da Periferia lançado em 2009. Nele, Marcus Faustini relata trajetórias urbanas e memórias de Santa Cruz, bairro da zona-oeste onde morou na sua infância e juventude. Quem vive essa jornada é o ator João Pedro Zappa.

Ajustar os detalhes do monólogo que vai reunir em 70 minutos música,  cinema e literatura foi um dos objetivos do ensaio aberto realizado nesta quinta-feira (10). A outra proposta para a sessão era perceber que identificações poderiam ser geradas na plateia a partir do formato e das lembranças narradas.

Personagens da literatura brasileira, objetos, linhas de ônibus e férias de verão foram alguns dos gatilhos que despertaram a memória dos jovens da Agência de Redes para Juventude  que estavam lá.

Períodos de leitura e repouso

Algumas histórias parecem até se repetir. É o caso da Elisangela Cielo, coordenadora do Horta Inteligente (Providência), que relembrou um dos períodos da sua infância que também aconteceu com  o personagem.  “Ele mencionou que quando teve uma doença passou a ler mais. E eu me lembrei que na minha infância, com 12 anos, eu fiquei doente e isolada também, e comecei a pegar livros para ler. Então, todas as partes que falava de livros de literatura na peça eu sabia”.

Lembranças e ação na cidade

Já o conga e o kichute, únicos sapatos da infância do personagem, fizeram Taís Monteiro, moradora da Pavuna, lembrar dos discursos da sua Tia.  “Quando ele falou que tinha um sapato para ir a escola e um para festa eu lembrei na hora da minha tia, que sempre falava que isso era o necessário para o meu primo, o Gabriel”.

“Quando ele começou a falar disso me trouxe lembranças de como era lá dentro. Algumas boas e outras nem tanto”, foi o que compartilhou Carolaine Gonçalves, de 16 anos, sobre o período que passou em um orfanato.

E mesmo que as rotas mudem, os corres diários de um jovem de origem popular que deseja cruzar a cidade ainda apresentam suas semelhanças. “Eu me identifiquei com essa questão do ônibus, de chegar tarde em casa, de ter que fazer algum bico para conseguir o dinheiro da passagem”, conta Sabrina dos Santos, de 22 anos,  sobre a maior identificação que teve com  a história.

Entre tantos detalhes, o relato sobre um pão com manteiga num internato de Paquetá, não passou despercebido. “Quando ele começou a falar disso me trouxe lembranças de como era lá dentro. Algumas boas e outras nem tanto”, foi o que compartilhou Carolaine Gonçalves, de 16  anos, sobre o período que passou em um orfanato.

Atualmente, ela vivencia o processo da desencubadora da Agência de Redes para Juventude.  Seu projeto é Connect Cult que irá trabalhar o circo, o teatro e o grafite com jovens de escolas e orfanatos. Assim, como Sueli, Tais e Sabrina também integrantes do projeto, elas foram assistir a peça com o objetivo de identificar pontos interessantes que pudessem acrescentar na realização do seu projeto.

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