Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Secretaria Municipal de Cultura

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21.10.2016

As definições de cineclube foram atualizadas

Que outro resultado pode vir da fórmula criança e audiovisual? Com pouco mais de um mês de formação do núcleo infância do Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o Trabalho de Infância e Juventude, o trabalho de produção de um cineclube está gerando diversas trocas e ações de audiovisual – encabeçadas por crianças – nos Pontos de Cultura e iniciativas culturais que receberam a oficina.

Thaina de Moraes, cineclubista e fundadora do Cine Batan, Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesta primeira matéria sobre esse processo do Pontão, já afirmava a presença marcante das crianças em suas sessões e seu comprometimento. E não foi diferente nas cinco sessões realizadas pelo Pontão em parceria com os Pontos de Cultura. Desde de meados de setembro, as formações já passaram pelas seguintes organizações: Livreteria Popular Juraci Nascimento, no São Carlos; Cine Batan, no Batan e no Ponto de Cultura Embalando Crianças, no Fallet. Os dois primeiros projetos integram também a Rede Agência da Agência de Redes para Juventude. As próximas ações seguem na Zona Oeste, com a realização da formação no Ponto de Cultura Comunidades em Cena em Bangu e no Ponto de Cultura A Era do Rádio, em Sepetiba. Nas próximas duas semanas, recebem as as formações os Pontos Fazendo a Diferença em Paquetá, em Paquetá e Escolhinha da Tia Percília (Babilônia).

 

Não é filme, mas é uma das coisas mais importantes de um cineclube: pipoca!

APOSTA NO TERRITÓRIO

Segundo Luciano Braga, o segundo semestre de ações do Pontão, focado no eixo infância, tem trazido diversos ganhos para todos os envolvidos. A possibilidade de trabalhar nos territórios de cada Ponto de Cultura junto ao público alvo ajuda no intercâmbio das metodologias.

“Acho importante a gente estar dentro do território. O interessante desse projeto foi justamente, no primeiro ano, a gente trazer os pontos pra dentro da nossa base, pra trabalhar com a gente e entender um pouco mais da nossa metodologia e no segundo ano a gente traz esses mesmos pontos, tanto na juventude quanto no eixo infância, a gente a iniciando um trabalho diretamente no território deles”, conta Luciano. Ele destaca ainda não só o aumento do senso crítico, mas também as habilidades pessoais que estão sendo desenvolvidas no processo.

“É a proposta do pontão fazer com que, tanto as crianças quanto os jovens, estejam num outro lugar que não seja de atendido, nessa tomada de decisões. Está sendo muito importante a participação pras crianças. Durante os encontros elas participam das escolhas, do filme que vai passar, de convidar as pessoas do dia, da produção do espaço. Elas estão entendendo como funciona um cineclube. Nessa experiência a gente estimula um novo espaço de vivências, de sociabilidades em que eles podem estar dialogando com o entorno, com os amigos da rua, com os amigos da família, primos. Nosso objetivo é estimular nessas crianças o diálogo entre elas. O cineclube tem o espírito associativo. Você tem que ouvir o outro, você não toma uma decisão sozinho. Você tem que ser escutado”.

Essa característica coletiva da construção de um cineclube é também observada por Diego Bion, formulador da metodologia e mediador dos encontros. Nos encontros no Fallet, a experiência de grupo das crianças integrantes da oficina gerou uma integração maior para a produção da sessão. “Foi uma turma bem agitada. Elas fazem parte de uma oficina de circo de lá, então elas chegavam com aquele gás, mas ao mesmo tempo muito envolvidos com o que estava sendo proposto ali. Tinha um sentimento, uma sensação de grupo até porque no circo você tem que confiar no outro, as pessoas estão ali usando corpo, contando com o outro e gerou uma parceria bem legal. A instituição se propôs a ajudar eles nas próximas sessões”, conta Bion.

Os encontros foram realizados com crianças da turma de circo do Ponto de Cultura

Todos os encontros aconteceram na casa de Thaina Moraes, bem no clima que o Cine Batan propõe: levar o cinema para a casa dos moradores. O filme A Batalha do Passinho, de Emílio Domingos, causou um forte impacto nas crianças presentes.

MANDA MAIS FILME

Segundo Leidimar Machado, coordenadora do Ponto de Cultura Comunidades em Cena, em Bangu, as formações alimentaram ainda mais curiosidade e a relação das crianças com o audiovisual. Ela destaca a participação de crianças a partir de quatro anos de idade, abaixo da linha proposta pelo Pontão (que compreende as faixa etária entre 8 – 14 anos).

Um prédio abandonado deu espaço para uma série de atividades da ONG Caixa de Surpresas, uma delas sendo o Ponto de Cultura Comunidades em Cena.

“O que ficou depois das formações foi a organização das crianças para elas continuarem a fazer o cineclube. Aí eles perguntaram pra gente nessa semana: se a gente quiser fazer na casa de um colega, a gente vai poder levar esse material? Pode, a proposta é essa mesmo. Essa ideia que fica, essa autonomia para ela montar as coisas, é bem bacana”, conta Leidimar. O material ao qual ela se refere é o projetor e a tela mais o acervo de filmes do Ponto de Cultura.

A trajetória de formação foi pautada na descoberta de novas relações entre audiovisual, infância em território. De crianças fortemente ligadas à cultura marisqueira, em Sepetiba, até crianças mais próximas dos repertórios da internet, o conceito de cineclube, mais popular entre as crianças por ser o nome de uma faixa da programação de um canal infantil da TV fechada, ganhou outra forma. “A gente tentou aproximar o máximo possível da realidade deles, do território, tentando estimular o desenvolvimento de uma ideia de cineclube que, na verdade, é um encontro de pessoas em torno de um material audiovisual. E esse encontro não precisa ser espetacular, com grande estrutura. Pode acontecer na casa das crianças”, completa o mediador.