As coberturas mais sagazes do AMaréVê

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As coberturas mais sagazes do AMaréVê

Por Jeosanny Kym e Marina Moreira

O AMaréVê é um portal de comunicação adolescente do Complexo da Maré. Usando câmeras, celulares, seus aplicativos e todos os recursos que a cultura digital pode oferecer, eles sustentam uma página no Facebook com mais de 1.800 curtidas. O projeto foi criado por Allan Santos e Cassio Rios durante o quarto ciclo da Agência, em 2014. Eles elegeram cinco momentos marcantes do trabalho realizado por eles até então. “O projeto tem dado a oportunidade para nós, eu e os jovens da Maré, de nos expressar da nossa maneira, com as nossas gírias, com o nosso dia-a-dia. Eu sempre quis ver a galera daqui empolgada com isso, empolgada em ter voz, em falar o que acha”, conta Cassio sobre esses meses de trabalho.

Se liga no que a juventude de periferia tá inventando!

1. Cobertura das manifestações

“Com uma grande expectativa, a primeira cobertura oficial de uma manifestação foi realizada pelo projeto e era na nossa Maré. Apesar do perigo, a experiência foi de grande valia para o grupo, além de podermos estar reivindicando como manifestantes pudemos ajudar também no registro dos ocorridos” – conta Allan Santos sobre a cobertura das manifestações do dia 23 de março de 2015, contra às recentes ações policiais na favela. Na época, sete pessoas foram baleadas e duas morreram.

2. Torneios de futebol

“Foi super gratificante tirar do papel um projeto desses, um torneio pra lançar nosso portal, perfeito. Dentro de campo os moleques batalhavam jogo a jogo pelo título, fora, descontração, música, grafite, longboard. A favela estava produzindo, e foi tudo num encaixe perfeito, tanto que já fizemos mais duas edições do mesmo torneio, e todas elas são um sucesso”, conta Cassio sobre essa iniciativa do projeto.

O futebol é um dos esportes mais populares entre a garotada das favelas e na Maré não é diferente. Foram três edições ao todo. O primeiro torneio (15/11/2014) foi o evento inaugural do projeto (veja como foi aqui) que teve como vencedor o time Lava Jato. A terceira edição (22/03) uniu o esporte e a luta pela garantia da vida da juventude negra. Em parceria com a Anistia Internacional as fotos do torneiro vieram com um selo da campanha #JovemNegroVivo (veja as fotos aqui).”Muitos jovens se perdem para o tráfico, e esse projeto atrai os jovens porque mostra que existem outros caminhos. Foi bom também jogar com os amigos que saíram da favela”, conta Washington, de 18 anos, participantes de todas as edições do torneio.

AMaréVê promove torneios de futebol na Maré e faz a cobertura na página.

3. Fortaleceu 

“Imagina um jovem que rala o dia todo no seu trabalho, ele chega cansado, e no ponto de ônibus se depara com a equipe do AMaréVê, que tem a seguinte proposta: nós te damos uma carona, até sua casa, e você se filma no percurso até lá, contando suas histórias na comunidade pra toda a galera, e aí topa ? O quadro é sucesso, e sai cada história incrível, e tanto conteúdo bacana. Realmente com esse quadro a gente entende que sim, nós temos potência!” conta Cassio Rios, sobre esse conteúdo que junta as duas coisas que os jovens de periferia mais gostam: andar de moto e ter voz ouvida, através de um vídeo.

A primeira edição foi com Betinho e você pode conferir aqui.

4. Documentário Longboard

O Long ganhou as ruas das comunidades da Maré. Crianças de três anos já em cima de quatro rodinhas, assim como uma galera mais experiente. Sabendo disso, o projeto procurou uma galera que manda muito bem e que organiza rolês na comunidade. O primeiro passo foi colar com eles e junto com a Agência PapaGoiaba produzir um mini doc sobre o que é o grupo Maré Longboard. “Foi bom, ajudou a divulgar o long, abriu oportunidades para as crianças e também foi bom pra comunidade. Participar do doc ajudou a ter uma visão boa da comunidade”, conta Catherine (18 anos), integrante do Maré Longboard.

Assista ao filme aqui:

 

5. Exibição do filme O estopim 

A ação foi realizada em dezembro de 2014 em parceria com o BBBar, um dos mais famosos bares da Maré. Os criadores do projeto entraram em contato com o diretor do filme, Rodrigo Mac Niven, que conta a história das últimas horas de Amarildo de Souza, que desapareceu em 2013, na própria comunidade em que morava, Rocinha.

A sessão contou com a presença de familiares de Amarildo e um público de 50 pessoas. Após a exibição, um debate sobre a política de segurança pública gerou uma reflexão sobre a ampliação da ação do Estado em favelas. O Complexo da Maré é atualmente ocupado pelo exército e tem perspectivas de implementação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

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