AGÊNCIA, FUNDAMENTAL

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AGÊNCIA, FUNDAMENTAL

A Agência de Redes para Juventude, desde de que foi criada em 2011 no Rio de Janeiro, já trabalhou com mais de 800 jovens entre 15 – 29 anos, convocando-os a experimentar uma nova forma de trabalhar com seus sonhos e projetos de impacto no território. O conceito base da metodologia o jovem da favela não é carente, é potente ganhou múltiplas formas e influenciou não só os projetos desses jovens, mas outras iniciativas públicas e privadas voltadas para a juventude.

De lá pra cá, quem entrou com seus 15 anos hoje está com 20 anos. E não só a vida pessoal desses jovens mudou, os seus projeto se desenvolveram: esse bonde também passou a influenciar uma mudança de posição de jovens em diversas instituições de referência em arte, cultura e ação social na cidade. Nesta matéria você confere algumas dessas histórias que mostram que a Agência é uma espécie de “ensino fundamental” para jovens de origem popular que começam a pensar novos soluções para a cidade através de seus desejos e territórios.

IMS E ROCINHA

Em 2012, nascia o jornal Fala Roça, na Rocinha. A partir da ideia de Michel Silva de recriar uma maior conexão dos moradores com as notícias da comunidade, sobretudo aquelas voltadas para a população nordestina. Junto com Michele Silva (sua irmã), Tainara Pacheco e Beatriz Calado – que recentemente conquistou seu diploma de bacharel em comunicação social – produzem edições mensais do jornal, além de manter o conteúdo atualizado de seus canais digitais, como site, Facebook e Twitter.

O trabalho de percorrer a comunidade, seja pelo cotidiano ou pela rotina de produção de reportagens, fizeram com que Michel fosse contratado para o setor de Ação Social do Instituto Moreira Salles (IMS). Uma das principais atividades desta divisão do IMS é a pesquisa para o projeto Memória da Rocinha, feita em parceria com o Museu Sankofa Memória e História da Rocinha.

“Eu sempre gostei de memória e história. Quando cheguei no IMS e me contaram o que iríamos fazer, me animei porque envolvia a Rocinha e etc. Eu já tinha uma experiência com o Fala Roça e circulo muito pela favela. Então trouxe essas qualidades pro IMS e também aprendi como funciona um ambiente institucional”, conta Michel que neste projeto realiza pesquisas no acervo fotográfico do Instituto e o complementa através de registros das transformações da paisagem da Rocinha.

Segundo Ana Luiza de Abreu, assistente de Ação Social do IMS, ter alguém do território muda o olhar e a forma de trabalhar na pequisa para o acervo. “A nossa relação buscou ser construída a partir do “trabalhar com” e não “para”. Isso fez toda a diferença, o que se percebe nos resultados do trabalho”, conta Ana, que antes de ter Michel como parceiro de trabalho, o conheceu através de um programa de aulas de geografia na Rocinha.

EM BUSCA DE AUTONOMIA

No Brasil, aproximadamente 13% da população é composta por adolescentes com idade entre 12 – 18 anos e a maioria desses são negros e a habitantes de áreas urbanas. Diversos são os dilemas sociais enfrentados por esses jovens dia após dia. Pensando nessa galera, o Descolados se propões a não ser mais um grupo de funk, com apenas um grande hit tocando nas rádios. Criado em 2012, no Fumacê, o grupo já realizou mas de cem shows, um filme sobre a trajetória deles e pensa ações de apoio à juventude para além dos palcos.

Fernando Espanhol e Felipe Salsa trabalham desde o início do ano no Caminho Melhor Jovem, da Secretaria Esporte, Lazer e Juventude. O programa conhecido como CMJ oferece atendimento para jovens entre 15 a 29 anos em favelas com a experiência da UPP. O objetivo é traçar um plano de autonomia de cada jovem participante.

“A Agência me ajudou nas estratégias, postagens, abordagem. Tudo isso é uma base que eu tenho daí. O lance de colocar o jovem como protagonista e investir na vida deles. É algo que a Agência também deu pra mim. O desafio é que agora o lance do jovem ser fiel ao programa e a comunidade conhecer o programa depende de mim”, conta Fernando que começou no programa como Articulador Local e foi recentemente promovido a Assistente de Mobilização.

Para Raissa Pacheco, diretora do CMJ do Fumacê, a experiência de ao desenvolver um projeto no território lhe proporcionou características ideais para a função que desempenha agora. “O diferencial do Fernando é que ele é uma pessoa articulada – e descolada, né. É preciso ter um pouco de liderança, pois ele é a pessoa que os articuladores vão sempre perguntar, tirar dúvidas no dia-a-dia de trabalho”, conta Pacheco.

Além do trabalho de Fernando e Salsa, Descolados e CMJ ainda são parceiros para as oficinas de Passinho, na qual Anderson Kipula, terceiro integrante do grupo, é um dos professores. Esta ação é um esquenta para o Hipfunk Festival, festival de música e dança idealizado e produzido por eles.

CONTEMPORANEIDADE EM REDE

Raquel Spinelli, 28 anos, criou no primeiro ciclo de existência da Agência o Providenciando a Favor da Vida, projeto de apoio à jovens grávidas na Providência. Na época, a jovem recém formada em Fisioterapia, a jovem chegou na metodologia motivada pela bolsa de R$ 100,00 e identificou numa experiência pessoal – o suporte a uma amiga adolescente que engravidara inesperadamente – um campo de mudança significativo para impactar seu território. Hoje o projeto é uma OSCIP, abriu mais frentes de trabalho pra mulheres da comunidade e amanhã (28/07) inaugura uma exposição fotográfica com os melhores registros desta trajetória.

Mas o trabalho de Raquel na cidade não se encerra aqui. Desde fevereiro deste ano, ela integra a equipe do programa Passo a Passo, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. “O convite veio pela experiência com meninas de comunidade. Foi a partir de uma apresentação do Providenciando para o Rodrigo Abel, subsecretário de desenvolvimento social”, conta Raquel cuja principal função neste trabalho é traçar os planos de oportunidades e objetivo de curto, médio e longo prazo desses jovens. “Minha experiência na Agência foi fundamental para estar com esses meninos e meninas hoje. pra ter essa pegada com adolescente de comunidade. Eles tem um perfil muito parecido com o da Agência”, declara Raquel.

Segundo dados da Prefeitura, na cidade do Rio de Janeiro, são mais de 800 jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. Mais de 90% são meninos. O desafio de Raquel e de toda equipe de mentores e funcionários dos Centros de Referência em Assistência Social (CREAS) é inverter a lógica das oportunidades e serviços oferecidos para essa população juvenil. E a colaboração entre o projeto da Providência e a Prefeitura ainda vai ganhar um novo capítulo:  o Providenciando a Favor da Vida vai participar da gestão de num novo abrigo público para jovens mães.

A metodologia do Providenciando a Favor da Vida vai integrar gestão de novo abrigo público para jovens mães. Foto: Divulgação

Segundo Allan Borges, subsecretário de proteção especial da SMDH, a participação de Raquel, de jovens e demais segmentos da população em lugares de decisão é uma premissa contemporânea de pensar a cidade. Nos últimos anos, a prefeitura vem experimentando esse modo de gestão em diversas áreas, como desenvolvimento social e cultura. “O que a gente tá praticando com o Passo a Passo e até mesmo com a oportunidade de franquear o espaço público pra uma metodologia que o Providenciando desenvolveu significa que a gente tá dando mais visibilidade para a potência desse jovens. A gente passa a assumir que sozinho não consegue dar conta de todas as medidas necessárias das múltiplas facetas da juventude carioca”, completa Allan.

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