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Direto da Agência » 27.07.2016 - Marina Moreira - Conexões e Comunicação

AGÊNCIA, FUNDAMENTAL

Jovens que estão influenciando na mudança do papel da juventude em diversas instituições na cidade passaram pela metodologia da Agência de Redes para Juventude.

Jovens que estão influenciando na mudança do papel da juventude em diversas instituições na cidade passaram pela metodologia da Agência de Redes para Juventude.

A Agência de Redes para Juventude, desde de que foi criada em 2011 no Rio de Janeiro, já trabalhou com mais de 800 jovens entre 15 – 29 anos, convocando-os a experimentar uma nova forma de trabalhar com seus sonhos e projetos de impacto no território. O conceito base da metodologia o jovem da favela não é carente, é potente ganhou múltiplas formas e influenciou não só os projetos desses jovens, mas outras iniciativas públicas e privadas voltadas para a juventude.

De lá pra cá, quem entrou com seus 15 anos hoje está com 20 anos. E não só a vida pessoal desses jovens mudou, os seus projeto se desenvolveram: esse bonde também passou a influenciar uma mudança de posição de jovens em diversas instituições de referência em arte, cultura e ação social na cidade. Nesta matéria você confere algumas dessas histórias que mostram que a Agência é uma espécie de “ensino fundamental” para jovens de origem popular que começam a pensar novos soluções para a cidade através de seus desejos e territórios.

IMS E ROCINHA

Em 2012, nascia o jornal Fala Roça, na Rocinha. A partir da ideia de Michel Silva de recriar uma maior conexão dos moradores com as notícias da comunidade, sobretudo aquelas voltadas para a população nordestina. Junto com Michele Silva (sua irmã), Tainara Pacheco e Beatriz Calado – que recentemente conquistou seu diploma de bacharel em comunicação social – produzem edições mensais do jornal, além de manter o conteúdo atualizado de seus canais digitais, como site, Facebook e Twitter.

O trabalho de percorrer a comunidade, seja pelo cotidiano ou pela rotina de produção de reportagens, fizeram com que Michel fosse contratado para o setor de Ação Social do Instituto Moreira Salles (IMS). Uma das principais atividades desta divisão do IMS é a pesquisa para o projeto Memória da Rocinha, feita em parceria com o Museu Sankofa Memória e História da Rocinha.

“Eu sempre gostei de memória e história. Quando cheguei no IMS e me contaram o que iríamos fazer, me animei porque envolvia a Rocinha e etc. Eu já tinha uma experiência com o Fala Roça e circulo muito pela favela. Então trouxe essas qualidades pro IMS e também aprendi como funciona um ambiente institucional”, conta Michel que neste projeto realiza pesquisas no acervo fotográfico do Instituto e o complementa através de registros das transformações da paisagem da Rocinha.

Segundo Ana Luiza de Abreu, assistente de Ação Social do IMS, ter alguém do território muda o olhar e a forma de trabalhar na pequisa para o acervo. “A nossa relação buscou ser construída a partir do “trabalhar com” e não “para”. Isso fez toda a diferença, o que se percebe nos resultados do trabalho”, conta Ana, que antes de ter Michel como parceiro de trabalho, o conheceu através de um programa de aulas de geografia na Rocinha.

EM BUSCA DE AUTONOMIA

No Brasil, aproximadamente 13% da população é composta por adolescentes com idade entre 12 – 18 anos e a maioria desses são negros e a habitantes de áreas urbanas. Diversos são os dilemas sociais enfrentados por esses jovens dia após dia. Pensando nessa galera, o Descolados se propões a não ser mais um grupo de funk, com apenas um grande hit tocando nas rádios. Criado em 2012, no Fumacê, o grupo já realizou mas de cem shows, um filme sobre a trajetória deles e pensa ações de apoio à juventude para além dos palcos.

Fernando Espanhol e Felipe Salsa trabalham desde o início do ano no Caminho Melhor Jovem, da Secretaria Esporte, Lazer e Juventude. O programa conhecido como CMJ oferece atendimento para jovens entre 15 a 29 anos em favelas com a experiência da UPP. O objetivo é traçar um plano de autonomia de cada jovem participante.

“A Agência me ajudou nas estratégias, postagens, abordagem. Tudo isso é uma base que eu tenho daí. O lance de colocar o jovem como protagonista e investir na vida deles. É algo que a Agência também deu pra mim. O desafio é que agora o lance do jovem ser fiel ao programa e a comunidade conhecer o programa depende de mim”, conta Fernando que começou no programa como Articulador Local e foi recentemente promovido a Assistente de Mobilização.

Para Raissa Pacheco, diretora do CMJ do Fumacê, a experiência de ao desenvolver um projeto no território lhe proporcionou características ideais para a função que desempenha agora. “O diferencial do Fernando é que ele é uma pessoa articulada – e descolada, né. É preciso ter um pouco de liderança, pois ele é a pessoa que os articuladores vão sempre perguntar, tirar dúvidas no dia-a-dia de trabalho”, conta Pacheco.

Além do trabalho de Fernando e Salsa, Descolados e CMJ ainda são parceiros para as oficinas de Passinho, na qual Anderson Kipula, terceiro integrante do grupo, é um dos professores. Esta ação é um esquenta para o Hipfunk Festival, festival de música e dança idealizado e produzido por eles.

CONTEMPORANEIDADE EM REDE

Raquel Spinelli, 28 anos, criou no primeiro ciclo de existência da Agência o Providenciando a Favor da Vida, projeto de apoio à jovens grávidas na Providência. Na época, a jovem recém formada em Fisioterapia, a jovem chegou na metodologia motivada pela bolsa de R$ 100,00 e identificou numa experiência pessoal – o suporte a uma amiga adolescente que engravidara inesperadamente – um campo de mudança significativo para impactar seu território. Hoje o projeto é uma OSCIP, abriu mais frentes de trabalho pra mulheres da comunidade e amanhã (28/07) inaugura uma exposição fotográfica com os melhores registros desta trajetória.

Mas o trabalho de Raquel na cidade não se encerra aqui. Desde fevereiro deste ano, ela integra a equipe do programa Passo a Passo, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. “O convite veio pela experiência com meninas de comunidade. Foi a partir de uma apresentação do Providenciando para o Rodrigo Abel, subsecretário de desenvolvimento social”, conta Raquel cuja principal função neste trabalho é traçar os planos de oportunidades e objetivo de curto, médio e longo prazo desses jovens. “Minha experiência na Agência foi fundamental para estar com esses meninos e meninas hoje. pra ter essa pegada com adolescente de comunidade. Eles tem um perfil muito parecido com o da Agência”, declara Raquel.

Segundo dados da Prefeitura, na cidade do Rio de Janeiro, são mais de 800 jovens em cumprimento de medidas socioeducativas. Mais de 90% são meninos. O desafio de Raquel e de toda equipe de mentores e funcionários dos Centros de Referência em Assistência Social (CREAS) é inverter a lógica das oportunidades e serviços oferecidos para essa população juvenil. E a colaboração entre o projeto da Providência e a Prefeitura ainda vai ganhar um novo capítulo:  o Providenciando a Favor da Vida vai participar da gestão de num novo abrigo público para jovens mães.

A metodologia do Providenciando a Favor da Vida vai integrar gestão de novo abrigo público para jovens mães. Foto: Divulgação

Segundo Allan Borges, subsecretário de proteção especial da SMDH, a participação de Raquel, de jovens e demais segmentos da população em lugares de decisão é uma premissa contemporânea de pensar a cidade. Nos últimos anos, a prefeitura vem experimentando esse modo de gestão em diversas áreas, como desenvolvimento social e cultura. “O que a gente tá praticando com o Passo a Passo e até mesmo com a oportunidade de franquear o espaço público pra uma metodologia que o Providenciando desenvolveu significa que a gente tá dando mais visibilidade para a potência desse jovens. A gente passa a assumir que sozinho não consegue dar conta de todas as medidas necessárias das múltiplas facetas da juventude carioca”, completa Allan.