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Abcdário das Mulheres

Por Barbara Horrana e Marina Moreira

Uma das grandes características do #CicloDeEstímulos2015 da Agência de Redes para Juventude são ideias que tem mulheres como público alvo. A presença de meninas nos estúdios de criação em cada território em que a Agência atua é proposital: um dos critérios para a montagem das turmas é que pelo menos a metade delas seja composta por meninas. Durante a realização do Abcedário da ideia neste último sábado, nomes de mulheres importantes nas vidas das bolsistas e novas ideias apareceram no instrumentos.

A para começar: A trajetória da mulher na cidade é marcada por muitos fatores que pouco contribuem para um espaço de expansão feminina. Muitas das vezes, para esse público, o território é hostil e segregador. As meninas, ainda na infância, aprendem a adaptar-se a um espaço que não as acolhe. Não andar sozinha à noite, evitar certos caminhos, acostumar-se com certos arranjos domésticos (nos quais, muitas vezes, existe violência) são alguns dos horizontes que permanecem na vida dessas meninas mesmo na vida adulta.

Moto é uma as grandes paixões de Débora Oliveira. Ela, que tem 19 anos, idealiza a formação de um coletivo de mulheres mototaxistas em seu bairro. A bolsista conta que essa paixão começou aos 14 anos. “Eu adoro moto, ando pra cima e pra baixo com a minha Biz. Mas quase não vejo mulheres fazendo isso por aí e pensei que seria legal se tivesse um bonde de mototaxi só com meninas”, conta a jovem moradora de Santa Cruz.

Débora é apaixonada por motos e quer fazer disso um projeto de impacto em seu território.

Débora acha importante que as mulheres se unam para resolver questões que as afetam. A bolsista diz que seu projeto é de mulher para mulher e deseja transformar seu território ao ofertar um meio de transporte em que, principalmente, as mulheres se sintam seguras ao utilizá-lo e que possam viabilizar uma maior circulação desse público nos espaços. Sendo assim, a cada letra do alfabeto, Débora produziu em seu abcdário ideias que têm a ver com o projeto do seu coletivo. Na letra M ela escreveu: “Mulheres unidas jamais serão vencidas!”.

Já no núcleo Centro, Milena de Senna, de 16 anos, moradora da Providência preencheu na letra “S” de seu Abcedário o nome Sara. Com a ideia de desenvolver um trabalho de recreação com toques de complemento escolar para crianças, a jovem logo lembrou da senhora que tomou conta dela e de outras crianças da favela. O afeto e o horário em que ficava com Sara – entre 9h e 15h – são o ponto de partida para começar a estruturar sua ideia.

A ideia inicial de Lidiane é criar uma cooperativa de costureiras na Providência.

Na letra F, Lidiane Mendes colocou Francisca, uma das costureiras de conhece na região da Providência. A jovem é irmã de Milena e está grávida pela primeira vez. Outro nome forte em sua vida é Liandra, uma combinação do nome de sua mãe, Ligia, com o de seu irmã, Leandro, falecido há algum tempo. “Não quis colocar Leandra, pois é um nome muito comum na comunidade”, comenta Lidiane sobre o nome de sua filha.

A ideia de projeto de Lidiane é criar uma espécie de cooperativa de costureiras na Providência. A jovem bolsista observa que ainda é preciso fomentar a independência, sobre tudo financeira, das mulheres do local onde mora.

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