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Para os idealizadores da Feira Crespa a cidade também é feita de cabelos. De diferentes cabelos. O projeto desenvolvido através da metodologia da Agência de Redes para Juventude, inaugurado no domingo no dia 23/11, na Pavuna, reunindo ações de valorização da cultura negra. Idealizado por Elaine Rosa, Milena Max, Luciano Ribeiro e Tauana Cristina, o projeto trabalha em prol do incentivo à valorização da beleza das mulheres negras e de elementos da cultura afro-brasileira dentro território onde moram. Eles concretizaram esse desejo realizando um dia de confraternização voltado, sobretudo, à homenagem da mulher negra.

Barracas de diversos produtos marcaram presença na Feira Crespa

A programação do evento contou com atrações musicais, como as bandas Sintonia Black e Visão Periférica; o grupo Meninas do Rio e Jongo do Afrolaje, de dança afro-brasileiras. O funk também esteve presente com Os Descolados. Barraquinhas com comidas típicas, acessórios e roupas – incluindo dois projetos criados dentro da Agência Customynação e Charme Favela, – também ocuparam o espaço da Arena Jovelina Pérola Negra. Rolou também a batalha de looks, com modelos da Favela é Fashion; e oficinas de turbante e maquiagem.

Além disso, dois debates também marcaram o dia: a mesa Do cabelo duro ao black estiloso: afirmação, identidade e o cabelo crespo na mídia contou com a presença de Letícia Santana, Yasmin Thayná, Adelita Portella com mediação de Lua Nascimento para falar sobre a construção de identidade feminina e negra através do cabelo. A mesa Mulheres do Funk: criadoras e empreendedoras levou Mc Luana, Erica Nunes (Camarote do Corte) e Lellêzinha (Dream Team do Passinho) para falar de suas experiências de inovação na cena cultural da cidade.

 

Os criadores da Feira Crespa: Elaine Rosa, Milena Max, Luciano Ribeiro e Tauana Cristina

Ninguém podia imaginar que a Feira fosse conseguisse mobilizar mais de 280 pessoas, num dia chuvoso na Pavuna,. Para Elaine Rosa, uma das criadores da Feira, o resultado saiu melhor do que o esperado no início da ideia. “Comecei a olhar a diferença dos cabelos que estavam na sala [do estúdio de criação da Agência] naquele momento. Aquilo me chamou muita atenção e assim surgiu a ideia inicial da Feira Crespa. Hoje já mudamos bastante do primeiro modelo. E que bom que mudamos de ideia e conseguimos realizá-la com sucesso”, conta Elaine.

Historicamente, os problemas  e as demandas de interesse da população negra não são reconhecidos. O uso frequente de estereótipos, a ausência de imagens positivas e a pouca produção de notícias com foco na temática racial são alguns dos desafios a serem enfrentados. As expressões da cultura afro-brasileiras não só são deslegitimadas, como também sofrem preconceito e discriminação por setores da sociedade. A Feira Crespa vem com o propósito de criar mais um espaço para a vivência dessa cultura, no subúrbio, marcando a juventude de periferia na construção de uma cidade mais democrática.

Para Andressa Marins, o dia permitiu uma reflexão sobre sua própria trajetória de vida. “Eu sempre tive crises de identidade na infância por não me encaixar, no padrão de beleza estipulado como certo na sociedade. Desde pequenas ouvimos que o nosso cabelo é ruim e o pior disso é muitas vezes acreditamos. Foi importante participar desse debate e ouvir relatos parecidos com a minha experiência” contou a jovem moradora da Maré que se encantou também com a roda de jongo. 

Os organizadores do evento já estão pensando numa próxima data. Num país onde 77% dos jovens mortos são negros, projetos que assumem missão de valorização da cultura negra são mais que importantes. São necessários para transformação dessa triste realidade que vem interferindo nos desejos de milhares de jovens diariamente. Aperfeiçoar a representatividade e a identificação das pessoas com a cultura negra é um caminho que precisa ter traçado para construção de uma sociedade mais justa.

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