A JUVENTUDE DE FAVELA É DIVERSA

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A JUVENTUDE DE FAVELA É DIVERSA

Não por acaso a Agência carrega Juventude no nome. Trabalhamos com jovens – de favelas e periferias do Rio – que são diversos. A premissa da Agência é justamente essa: trabalhar com a diversidade que existe nesse grupo. Cada jovem que participa dos ciclos da Agência é singular, e é entendendo essa singularidade que atuamos. Entendemos que da diversidade dessa juventude surgem potências. A cada ciclo, trabalhamos essas potências e chegamos a soluções, em forma de ações e de projetos criados pelos jovens. E no ciclo 2019 isso não é diferente.

Angell (à direita) e Yago durante um sábado de estúdio na Agência

A jovem artista independente Angell Araujo conheceu a Agência há cerca de dois anos, através do festival Todo Jovem É Rio. Ali, quando viu jovens falando sobre política e sobre território dentro da favela, ficou muito interessada em participar do ciclo 2019. Ela foi selecionada, e hoje participa do Núcleo Zona Norte: “Eu fiquei muito feliz, enquanto mulher trans, de estar aqui, de estar envolvida, de poder colocar meus sonhos e projetos em prática,   de expor isso pra outras pessoas e de estar sendo aceita”, diz. Para ela, ser estimulada pela Agência significa multiplicar a própria potência: “Meu intuito é inserir outras pessoas trans, e mostrar que assim como eu posso, elas também podem. Quero incentivá-las a fazer o que quiserem, a colocar seus sonhos em prática, sem ter medo”, completa.

A jovem ativista Juliana Carmo divide os sábados na Pavuna com Angell. Nesse, em específico, esperou calmamente a colega falar para em seguida dar o depoimento que na semana seguinte compartilharia com a família e com os amigos. Jovem, mulher, negra, moradora da favela Proença Rosa, em Honório Gurgel, considerou uma honra ser chamada para falar sobre diversidade, e estampa a capa dessa matéria. Ela reconhece a importância de recortes como o de raça e de território, mas lembra da potência que existe na singularidade de cada jovem: “Apesar de sermos jovens e apesar de sermos de favela, temos personalidades diferentes. Quando a gente consegue se conectar com essas singularidades, com essas personalidades diferentes das nossas, a gente consegue entender porque a gente está aqui e porque a gente deve trabalhar pra redução das desigualdades”, conclui.

Ingrid Siss, moradora da Cidade de Deus, mãe, e criadora da Casa Dona Amélia

A diversidade também está na maternidade. Ingrid Siss é mãe do Bernardo, de 4 meses, e participa do Núcleo Zona Oeste. Para ela, participar desse ciclo enquanto mãe tem outros significados: “É pensar que sim, a gente é potente, e a gente pode continuar, ainda que a maternidade nos consuma. A Agência nos permite ter muitas ideias do que pode ser maternidade, e me faz pensar em que futuro eu quero pro Bernardo e pra tantas outras crianças que estão vindo”, diz. Desde 2017, Ingrid cuida da Casa Dona Amélia, um espaço multiuso de acolhimento na Cidade de Deus, com atividades para crianças e para gestantes. Ela começou a tocar o projeto quando estava se formando na faculdade, com a vontade de atuar dentro do seu território: “Ali era a casa dos meus avós, dona Amélia e seu Braga. Minha avó faleceu e três anos depois meu avô faleceu também. A casa ficou fechada por mais dois anos, até eu começar esse processo de criação do espaço, a colocar minha ideia em prática ”, conta.

Júlia Dias trabalha em seu Mapa

Pensar, criar e agir dessa forma é especialmente importante em territórios como o de Ingrid, e como a comunidade do Rola, onde mora a jovem ativista Júlia Dias. Júlia diz que no seu território há uma escassez muito grande de projetos, e que  a Agência de Redes Para Juventude é a possibilidade de um novo caminho: “Vejo esse ciclo da Agência como uma forma de conseguir promover ações dentro do meu território, e de estimular outros jovens a fazerem o mesmo”, diz. Ela ainda quer atuar muito no seu território, e espera que o impacto de suas ações seja tão grande quanto o impacto da Agência em sua vida: “Quero realizar ainda mais no meu território e inspirar os moradores daqui a promoverem mais – mais cultura, mais educação, e outras coisas que infelizmente o Estado não está fornecendo pra gente”.

A favela é múltipla e a Agência reflete essa realidade. Não existe a possibilidade de trabalhar com jovens de favela sem pensar em diversidade. São Angells, Julianas, Ingrids e Júlias que, a cada ciclo, desenvolvem projetos que impactam territórios periféricos. Elas e tantos outros jovens potentes que participam, participaram e ainda vão participar da Agência são a prova de que a juventude de favela é diversa. Que diversidade é resistência e potência. E que essa potência vira ação!

 

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