A banca do selo: o que falta?

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Nervosismo sábado de manhã na  Lapa. Onze grupos já tiveram a aprovação da banca do selo em outubro.  Mais treze passaram pela segunda leva de projetos da desencubadora. Lá elaboraram orçamentos e cronogramas. Espalharam suas redes e mapearam mais a fundo seus territórios. Agora, só falta o selo da Agência para “ir para a rua”. A próxima leva de inaugurações será no fim de janeiro. Novos desafios, do mundo real, aguardam esses corajosos jovens, que demonstram impressionante maturidade. No último sábado também foram avaliados os projetos do segundo Ciclo de Estímulos da Agência nas seis comunidades.  Um projeto de cada território entra para a desencubadora ainda em dezembro.

Valquíria Ribeiro, orientadora, com Jorge Freire, coordenador da desencubadora, fazendo uma prévia dos projetos

Se todo candidato a empresário ou empreendedor passasse pela Agência, com certeza a taxa de falência empresarial seria menor. Pois há muitos olhos atentos em cada detalhe, e na banca, as perguntas parecem balas de metralhadora.

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“Quantas mulheres e por quanto tempo duram as aulas para as costureiras?” pergunta a Val “Qual vai ser o lucro? Quanto vocês estão investindo nas camisetas? Para zerar, quantas camisetas precisam vender?”

“Não vai ter uma sede?” pergunta o Jorge. “Onde vão estocar as camisetas? Não vai ter ponto de vendas?”

Favella Chic: Welbert Coni e Cristiano Maciel, de CDD, com a ativadora Raquel Rodrigues

Para as meninas do Ubatanfa, Tatiane Cardoso e Carolina Vilela, não há trégua. “Vocês entraram em contato com fabricantes de fraldas, além de distribuidoras?” indaga a Val. “O pedreiro que vai fazer a reforma da sede dá nota fiscal? Se não, tem que acrescentar 20% no custo dele, no orçamento,” ela avisa. “Vocês sabem a margem de lucro?” pergunta Jorge, estudando o orçamento projetado na parede. “Assim, com lucro de R$1,40 por pacote em cima de quatro mil reais de investimento, vocês vão  ter um total de 700 reais de lucro, o que não vai permitir a compra de mais fraldas.”

“Tente um desconto maior do fornecedor,” aconselha a Val.

Ubatanfa, com a ativadora Karina Rodrigues

Ambos projetos são muito detalhados. Todos os jovens se apresentam com confiança e desenvoltura. Tatiane explica que os temas das oito reuniões de conscientização de adolescentes grávidas, acopladas à venda de fraldas, se baseam na experiência que ela teve ao engravidar com quinze anos. “Eu não tive isso, não sabia, precisava”,  diz. Após ouvir sugestões e críticas numa rodada anterior, as meninas haviam transformado sua ideia inicial de produzir fraldas orgânicas, para a simples venda de fraldas a preços baixos.

Os garotos já estão com oito costureiras prontas para customizar as camisetas, que também podem ostentar estampas de estêncil, transfer ou silk-screen. Um grupo de funk já combinou de usas a grife Estilo Favella no próximo show; o pré-lançamento e o lançamento, além de aulas para as costureiras, já estão planejados.

O diabo está nos detalhes

Tatiane: "Quem assistir às seis reuniões, ganha um enxoval"

Quem não ganhasse o selo não precisava entrar em desespero. Significa apenas uma volta à desencubadora, para resolver mais alguns detalhes. É o caso de  sete projetos. Os que ganharam o selo agora são: CIB – Centro de Integração do Borel;  Ubatan Circo Social, do Batan;  Entre o Céu e a Favela, na Providência;  Estilo Favela, da Cidade de Deus;  Favela Orgânica, do Chapéu Mangueira;  e Lutando pela Vida, na Providência.

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