As ideias do Batan encontram a banca

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Nos dias de hoje, fala-se muito sobre a importância de trabalhar no que se gosta. Na pré-banc dos territórios, todos os presentes tiveram a seguinte percepção: os jovens estavam pensando em projetos relacionados aos seus desejos. Esse pique de quem pode ganhar novos espaços através de sua potência estava em todas as apresentações do grupos do Batan no dia que fecha a primeira fase das ideias na Agência de Redes para Juventude: a banca de avaliação.

“O que me levou a criar esse projeto foi a paixão pelo taekwondo, que eu já tinha feito no Batan. Eu tenho a vontade de fazer com que mais pessoas conheçam esse esporte olímpico que tem uma filosofia muito bonita”, conta Lucas Viana, integrande do UFB – Union’s Fighters Batan. Ele, assim como seus colegas de grupo – Eric Johnson, Yara Raquel, Matheus de Oliveira , Allan Copelli e Guilherme Oliveira – praticam diversas modalidades de luta. Juntar geral não foi uma tarefa tão dificíl. Para eles, o momento mais difícil foi a pré-banca nos territórios.”Falar para as pessoas do nosso territorio é mais difícil, são pessoas exigentes e curiosas. Mas serviu pra acertarmos os pontos que faltavam e assim chegamos mais seguros na banca”, completa o jovem que levou sua ideia de criar oficinas de capoeira e taekwondo na comunidade, focando na filosfia das lutas e nas possibilidades que integração que elas podem despertar nos moradores do Batan e do Fumacê.

Galera do UFB apresentando sua ideia de aulas de luta no Batan.

Para Rafaela Batista, de 15 anos, o um dos motivos de idealizar o ATI – Associação da Terceira Idade junto com Genilson Araújo e Lorraine Oliveira foi o exemplo da avó que trabalhou com cuidadora de idosos que despertou nela a vontade de estudar enfermagem. O projeto pretende realizar encontros entre jovens e idosos do Batan para um circuito de memórias. “Antes da apresentação eu estava muito nervosa e achava que não ia conseguir falar e mostrar para eles como era meu projeto. Mas foi super fácil, gostei bastante deles, nos mostraram confiança”, conta a jovem que não teve medo de mandar seu papo para a banca. Ela completa dizendo que uma dos grande aprendizados que teve na Agência foi perder a vergonha de falar.

A banca no Batan saiu impressionada com a organização e a confiança dos bolsistas. “Aqui teve uma acepção territorial intensa. Tem ideias de grande impacto”, disse Pablo Ramoz, gestor da Arena Jovelina Perola Negra. “Eu me surpreendi com a integração. Lá em Nova Iguaçu precisamos conversar muito para criar algo junto”, completa Luana Pinheiro (Cineclube Buraco Do Getúlio). Adany Lima (Movimentos) notou os bolsistas desse ciclo mais confiantes e com uma percepção maior sobre o território.

Pablo Ramoz, Luana Pinheiro e Adany Lima compõem a banca de avaliação no Batan.

 

 

 

 

 

 

 

 

“O melhor momento pra mim foi a Banca. Eu consegui explicar melhor meu projeto. Apresentamos bem porque a banca deixou a gente super a vontade. Nos tranquilizou bastante a gente acho que ficou bem claro o nosso projeto e o quanto ele vai ser importante pra comunidade”, conta Thainá de Moraes uma das integrantes do Cine Batan. Ela participa da Agência desde 2012. Curtiu uma outra ideia naquele ano e desenvolveu seu primeiro projeto no Batan. Neste ciclo, porém, ela chegou com novas ideias, mas com um mesmo desejo: trabalhar com comunicação, mais especificamente com o cinema. Juntaram-se a ela a irmã Bruna e as amigas Letícia e Mônica e elas na banca um cineclube nas casas e espaços públicos da comunidade. Cada uma tem uma experiência diferente com a sétima arte, mas todas entendem que acesso ao cinema é difícil e que o cinema brasileiro merece mais visibilidade. Esse foi um dos argumentos defendidos pelas meninas: revelar a potência do território através das imagens em movimento.

Spetaculuz, Favelando, B.A.F (Batan Art Favela), Batan sem Fronteiras, Arte Comunidade e Robótica também apresentaram suas ideias e aguardam pelo resultado da banca no próximo sábado. Todos trabalham suas ideias através de seus desejos e trajetórios, mostrando que a juventude de periferia anda, cria e projeta coisas sobre sua vida e seu território. A favela, muito longe de ser um espaço carente, é um espaço que pode abrigar novas ideias para a cidade.

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