450 Jovens, 450 Rios

Agência no Edital de Ações Locais
25 de Fevereiro de 2015
#5 Rap na Reta
10 de Abril de 2015

O último sábado de março fechou o verão em celebração à potência da juventude. O encontro 450 Jovens, 450 Rios – uma conferência livre de juventude reuniu diversos representantes da Rede Carioca de Pontos de Cultura que a partir desse ano vão reforçar o compromisso de trabalhar com a juventude através da parceria com o Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação dos Pontos para o trabalho com infância e juventude. O Pontão é baseado nas metodologias da Agência de Redes para Juventude e da Escola Livre de Cinema. Na programação, além da apresentação do plano de trabalho do Pontão, o dia também  debateu as políticas públicas de juventude ao longo dos anos no Brasil.

“O moleque do rolezinho mobiliza mais do que eu que tô a anos na militância” – conta Gabriel Medina, observando os repertórios de mobilização da juventude como novas práticas políticas.

A primeira mesa, composta por Gabriel Medina (Secretário Nacional de Juventude), Cleia Silveira (FASE/SAAP), Hanier Ferrer (Agência de Redes para Juventude), com mediação de Marcus Faustini, criador da Agência, fez um panorama sobre a construção das políticas públicas aos longo do tempo e a participação dos jovens nas mudanças sociais.

Gabriel Medina destacou algumas políticas de juventude implementadas no país ao logo dos anos se baseavam em duas prerrogativas: ou a juventude deveria ser controlada ou tutelada. A perspetiva era que o jovem seria uma ameaça ou alguém que estava em transição para a fase adulta, uma “tábua rasa”, na qual caberia apenas ações para ocupar o tempo ocioso.

Nos últimos anos, com algumas mudanças na sociedade brasileira, com diversas políticas de visibilidade – como cotas em universidades públicas, PROUNI, entre outras – ficou mais claro que os jovens são sujeitos de direitos, com necessidades específicas e poder de participação relevante na democracia.

“A Juventude com sua capacidade de irreverência, de quebrar paradigmas e resistir em conjunturas desfavoráveis deve ser ouvida” – Cleia Silveira

Cleia Silveira, criadora da FASE e coordenadora do Fundo SAAP, trouxe uma visão dos movimentos sociais na formação de novas lideranças. O homenageado do dia, Paulo Freire, foi uma grande inspiração para  diversas ações da ONG, como a formação de educadores em Circo Social. Com uma metodologia que incorpora a vida e a prática dos sujeiros, a iniciativa buscou pensar numa formação que não passasse pelo repertório padrão de educação. Hoje, muitas das pessoas que ingressaram nesse processo como analfabetas funcionais ou já se formaram na universidade, ou almejam alcançar esse espaço.

“A gente faz política o tempo todo, tem que disputar”, convocou Cleia para que as juventudes do país – como grupo atuante da sociedade civil – disputem cada vez mais as esferas de institucionalidade.

 “A televisão não mostra o que eu escutei aqui, é diferente. Quero aprender mais sobre isso” – Renata Silva, 14 anos, estudante de mídias no Ponto de Cultura A Era do Rádio, de Sepetiba.

O dia seguiu com as apresentações do plano de trabalho do Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação para os Pontos para o trabalho com infância e juventude. O nome é grande, mas a ideia é mais simples (embora o trabalho seja intenso): os Pontos de Cultura são iniciativas conveniadas com o município – baseadas no programa Cultura Viva  – que realizam ações socioculturais e promovem a cultura digital em diversos bairros do Rio de Janeiro. Os Pontões são organizações que auxiliam em alguns aspectos no aprimoramento do trabalho dos pontos. E a missão dessa parceria é aumentar o papel do jovem nas criações e decisões da cidade.

A mesa foi composta por Ana Paula Lisboa e Veruska Delfino (Agência de Redes para Juventude); Luana Pinheiro (Escola Livre de Cinema – ELC); Guilherme Nascimento e Sofia Barreto (Secretaria Municipal de Cultura) e Luciano Aires (Pontão de Cultura Rede de Formação e Articulação para os Pontos para o trabalho com infância e juventude/Agência).

Serão 40 encontros, sendo 10 de formação em comunicação e política para um jovem de cada ponto , com base no trabalho da Agência; e outros 10 sobre o trabalho da Escola Livre de Cinema para trazer novos repertórios (nesse caso, audiovisual) no trabalho com crianças. Esse é o panorama do primeiro ano (são 3 no total) focado em hackear as metodologias, tando as da Agência e da ELC e dar visibilidade aos jovens da cidade.

Além desses momentos de debate e planejamento, Fernando Cook (Os Descolados) e MC Jovem Cerebral mandaram um freestyle sobre Paulo Freire. E para fechar o dia, rolou o lançamento da 450 Jovens, 450 Rios – a campanha, que vai mobilizar colaborativamente 450 jovens que realizam no Rio de Janeiro. É só enviar sua proposta para a página da Agência.

Veja mais fotos em nossa galeria no Flickr >> http://goo.gl/YD99gX

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *